domingo, 27 de fevereiro de 2011

Seja um bom autor

Neste ano os alunos da sétima série criarão um livro (o nome, tema, conteúdo, ou coisas relacionadas ainda não foram divulgados) e portanto, desde já é bom estar praticando a sua escrita.
Se você não está interessado na criação do tal livro ou não é um estudante Marista (SM) então leia o post do mesmo jeito. As dicas não servem apenas para escrever o livro. Servem também para escrever um conto, uma história, ou produzir um texto de um tamanho menor. Se ligue com as dicas, e tente melhorar...
Uma pergunta básica, mas frequente:
Se eu ler um livro, Crepúsculo, por exemplo, eu vou conseguir escrever melhor?
Isso depende muito de cada um. Já conheci pessoas que aparentemente isso ajudou, mas na verdade sempre estiveram interessados em escrever bem (e, claro, o livro auxiliou) e outras que, apesar de gostarem de ler, e lerem com frequência, isso não fez grande diferença. E esses casos são diferentes: ou então você não sabe dizer se tal palavra é com “c” ou com “ss” ou então você tem um conhecimento abrangente da morfologia de cada palavra, mas chega na hora de interpretação e produção de texto, bingo!, você não sabe o que fazer. Portanto, isso vai depender apenas da forma que você é. Se estiver mesmo esforçado (a), pode ser que isso resolva. Mas, pode ser que não.
--
Algumas dicas que poderão lhe auxiliar:
COMO FAZER UMA HISTÓRIA?
Antes de tudo, é necessário ter um tema em mentes. Não é necessário o título, e só o título nem sempre resolve alguma coisa. Digamos, então, que o motorista do caminhão foi passar pela fronteira e morreu. Tudo bem, essa é a sua história. Mas veja se ela tem coerência com o que está sendo pedido pelo seu professor e se ela realmente faz sentido. Se as respostas forem sim, já poderá iniciá-la. Claro que a história não é “o motorista de caminhão foi passar...”. Não. Você tem que desenvolvê-la.
COMO COMEÇAR UMA HISTÓRIA?
Você é o autor. Você pode ter a sua própria decisão. Porém, como a produção de textos é normalmente rígida, é necessário começar com um horário. Por exemplo: “Foi pela noite, aproximadamente às três da madrugada que tudo começou” ou então “O sol nasceu ensolarado naquela manhã de domingo”. Você sabe qual o melhor rumo de se tomar. Afinal, se for uma história de vampiros que tem medo do sol, não vai fazer sentido começar com a segunda opção. Depende muito dos seus personagens.
O QUE PRECISA CONTER NA HISTÓRIA?
Essa é uma pergunta complicada. Afinal, o que precisa conter na história? Bem, talvez você se lembre que, talvez, já tenha aprendido:
Onde? O quê? Quem? Por quê?
São algumas das perguntas que devem ser feitas. Deixe explícito onde a história está acontecendo, o quê está acontecendo, quem está participando do acontecimento e etc. Existem outras perguntas também.
Se prestar atenção nelas, vai conseguir fazer uma história mais coerente.
QUANDO É NECESSÁRIO FAZER PARÁGRAFOS?
No Word, basta apertar tab para fazer um parágrafo imediatamente. No seu caderno, folha, ou seja lá que material for (e que seja compatível com os anteriores) basta por um dedo ou dois antes de iniciar a história. Tem aqueles que já se acostumaram e sabem, de cor, por onde eles devem começar.
Mas, para quê parágrafos? Eles organizam a história, basicamente. Existe uma troca de parágrafos, em qualquer livro que você for ver. Pegue o que esteja mais próximo da sua mesa, ou então o que você preferir. Preste atenção que entre uma à oito linhas existem parágrafos iniciados. Preste anteção novamente. Eles existem para separar um tempo de outro, um lugar de outro, um acontecimento de outro.
Observe esse trecho retirado de Crepúsculo:
“Eu me levantei num salto, pegando o pijama atrás da porta e a necesserie na mesa. Deixei a luz apagada e saí, fechando a porta.
Pude ouvir o som da TV subindo pela escada. Bati a porta do banheiro ruidosamente, assim Charlie não viria me incomodar.”
P.218
Alguns devem ter reparado. Existe um parágrafo, e ele acaba com Bella fechando a porta. No seguinte, ela inicia, claro, de fora do seu quarto, e encerra-se fechando a porta do banheiro. Notem. Ele existe ali para separar um acontecimento do outro. Eles são necessários para isso. Servem para isso.
Assim, quando mudar de acontecimento, mude também de parágrafo.
E NO DIÁLOGO, O QUE É NECESSÁRIO?
Existem pouquíssimos livros que são feitos só de diálogo, ou então feitos só com a narrativa. E essas exceções normalmente são em livros para crianças. Então, digamos que nunca é possível ter só diálogo ou só narração. E se existir um só, poderá notar como isso torna a leitura enjoativa.
Então, é necessário ter uma narrativa para narrar tal acontecimento. Por exemplo, que tal personagem movimenta-se para direita e deixa cair um vaso da mesa. Isso faz com que o leitor entenda mais do que o outro personagem, com o qual estava conversando, dizer: “Uau! Você quebrou o vaso da cozinha”. Pelo menos, a narrativa entra em mais detalhes.
Os diálogos indiretos são aqueles que acontecem no meio da narrativa. Observe um exemplo.
“Maria falou que eu estava errada. Eu disse que não. Aquele garoto não havia roubado. Eu também não, mas acho que sabia que eu não era a culpada pelo assalto. Falei para ela entrar dentro do carro e esquecer o assunto. Ela abriu a porta, mas não esqueceu-se do assunto. Estava exausta, e falei isso para ela...”
Percebam como isso está se tornando enjoativo. Notem um outro exemplo, no mesmo contexto, mas com um diálogo direto.
“- Betth, você está errada.
- Não. Não estou. Eu sei que aquele garoto não roubou a loja. Eu também não fui. Acho que sabe bem disso.
- Sei. Você não é daqueles de assaltar.
- Ele chegou.
- Quem?
- O meu pai. Ele vai levar-nos daqui. Entre dentro do carro. Mas vamos tentar esquecer deste assunto.
- Eu tenho certeza que aquele garoto roubou a loja. – disse quando entrou no carro e bateu a porta.
- Por favor Maria. Eu estou esgotada. Deixe-me descansar um pouco.
- Esgotada?
- Não estou acostumada com assaltos....”
Viram a diferença? Claro que podem ser acrescentados discursos indiretos nos textos, mas não sempre.
Em discursos diretos, deixe sempre e obrigatoriamente um parágrafo antes. E, obviamente, não se esqueça do travessão. É a única forma de o leitor saber perfeitamente que alguém está falando.
Se quiser citar, por exemplo, que Maria bateu a porta do carro, como foi feito no texto que acabou de ser lido, escreva antes um hífen. Isso separa a fala da narração. E, sim, você pode narrar ali mesmo.
EU TENHO MUITOS ERROS ORTOGRÁFICOS...
Se seu problema é a ortografia mas manda muito bem na escrita em si, então esteja sempre com um dicionário (ou com o computador!, como muitos também devem ter exclamado neste momento) por perto. Se estiver com alguma dúvida, busque a tal palavra nele.
Existem muitos que ainda tem dúvida se tal palavra é com “s” ou com “z”, por exemplo. E não existe atravéz, por favor. É bom prestar mais atenção no que lê, e também no que está escrevendo.
EU NÃO SEI MUITO BEM A PONTUAÇÃO...
É claro que se você puser lá um texto enorme, sem vírgulas, você não vai poder parar de ler. Então, lembre-se delas. Assim como pontos finais, elas dão uma pequena pausa na leitura. O tempo perfeito para você “respirar” e, depois, continuar a ler o texto. Percebeu como esse parágrafo, por exemplo, está cheio de vírgulas? Então, tente lê-lo sem parar ver o que é que dá. Confuso não?
Pois também não se esqueça se, no final da frase de um personagem, por exemplo, faz mais sentido um ponto final, de exclamação ou de interrogação. Normalmente muitos sabem, mas existem aqueles que esquecem que era uma interrogação e põem um ponto final mesmo.
Fique atento nisso. Não existe um parágrafo com muitas características, palavras e muitos blábláblás. Ou pelo menos não era para existir. Isso é o mesmo para frases. Muitas informações deixam o leitor encabulado.
QUAIS AS CARACTERÍSTICAS CERTAS PARA UM PERSONAGEM?
Não existem características certas. Você é o autor. Se você quiser criar um personagem ruivo de trinta anos, tudo bem. Se quiser criar uma criança que odeia escrever, tudo bem também.
Mas não deixe de mostrar aos leitores as características. E, claro, sem exagerar. “Um personagem deve ser construído durante a história”, foi o que a própria professora disse. Então, vamos deixar que tudo ocorra assim mesmo. Por exemplo, não precisa dizer “o cabelo do personagem é preto”. Lá pela segunda página, diga que “o cabelo preto e seboso do doutor estavam despenteados”. Tudo bem que foram dados mais informações.
Mas, veja bem: não foi dado tudo ao mesmo tempo.
Outras informações: Consulte seu caderno. Se tiver anotado tudo desde o princípio, terá todas as informações que procura. O trabalho dos grupos 1 ao 7, que aconteceram nesta semana, poderão lhe auxiliar de alguma maneira. São basicamente sobre estes focos que fizemos essa postagem.
Dica final: busque expressar todas as suas ideias, tudo que está pensando. Se fizer isso, o leitor vai entender melhor a história, as ações e o personagem. Portanto, deixe o texto ao máximo detalhado. Mas lembre-se das dicas anteriores.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...